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outubro 25, 2023

 LIBERDADE E TRANSFORMAÇÃO foi o tema do Fórum RBE, novamente na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Programa do Fórum RBE 2023

Oradores participantes:

Fotografia dos oradores 2023Fotografias oradores participantes Fórum RBE 2023


  As duas professoras bibliotecárias do Agrupamento estiveram neste evento, no dia 24 de outubro de 2023, em que foram abordados temas como:

·       o papel transformador das Bibliotecas Escolares e Portugal como país de referência nesta área;

·  o equilíbrio entre as potencialidades da Inteligência Artificial e a Humanidade;

·   a necessidade de momentos de interrupção e de recolhimento para uma leitura mais profunda e combate à superficialidade do conhecimento.

Impressionantes:

·     a performance As Possibilidades do Elefante (Curso Profissional AE André de Gouveia), baseada no livro A Viagem do Elefante, de José Saramago;

·       a conferência-concerto do famoso cientista e professor catedrático Nuno Maulide, capaz de unir, com elegância e simplicidade, a Música e a Química Orgânica através do ato criativo e do piano.

Houve ainda:

·       depoimentos de alunos, que comprovaram o papel significativo das Bibliotecas Escolares no seu percurso e no seu perfil de leitores;

·       entrega do Prémio Professor Bibliotecário, que trouxe «à ribalta um trabalho que muitas vezes é feito na sombra» (palavras da representante do grupo Leya). Estão de parabéns a professora Cláudia Vieira Santos, pelo primeiro prémio, e os professores Isabel Bernardo e Jorge de Carvalho, pelas menções honrosas, assim como todos os professores bibliotecários que, diariamente, desempenham com empenho e paixão as suas funções.

Momentos

Discurso de António Feijó Fórum RBE

António Feijó, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian desde maio de 2022, abriu a sessão, salientando os laços de cooperação já antigos entre a Fundação  e as Bibliotecas, que muito tem contribuído para a promoção do gosto pela leitura.

Discurso de Manuela Pargana Silva Fórum RBE  
Manuela Pargana Silva, Coordenadora Nacional da RBE, destacou o papel do digital, mas sem perder de vista o Humanismo. «Vivemos tempos de grandes paradoxos que exigem equilíbrios».


Início da palestra de Barbara Lison Fórum RBE 2023

Silde da palestra de Barbara Lison Fórum RBE 2023

Barbara Lison, ex-Presidente da IFLA e professora bibliotecária alemã, elogiou a forma como as Bibliotecas Escolares estão organizadas em Portugal.

««New technologies will both expand and limit who has access to information.»

«A Motivating School Library Space includes welcoming, vibrant and culturally inclusive environment and a quiet space – to reflect, read and study.»

«School libraries must provide materials that will enrich and support the curriculum, taking in consideration the varied interests, abilities and maturity levels of individual learners.»



Participantes na Mesa Redonda Fórum RBE 2023

Conversa Mesa Redonda Fórum RBE

 Mesa redonda Papel da IA Fórum RBE

     O digital é importante, a par da manutenção do gosto pelo saber e do humanismo.

     A leitura requer esforço, concentração, momentos de paragem e de recolhimento.


Performance Elefante Performance foto

Performance Cena do rei

Performance Elefante Música

    Performance As Possibilidades do Elefante    

    “Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam.”  (José Saramago)

A voz dos alunos Fórum RBE 2023

     A voz dos alunos. 
     Sugestão de leitura: A Fábrica de Cretinos Digitais, de Michael Desmurget
     As Bibliotecas dão a conhecer e dinamizam projetos e atividades que incentivam à leitura e à escrita, como o Público na Escola ou Clubes de Leitura.
     Devem permitir aos alunos construir os seus próprios caminhos de leitura, disponibilizando livros diversificados.

Anúncio do PB do ano Fórum RBE 2023


Celebração PB do ano Fórum RBE 2023

          Prémio Professor Bibliotecário.

Nuno Maulide Bach

Nuno Maulide floresNuno Maulide teclas

Nuno Maulide The power of tranquilityNuno Maulide cores

Nuno Maulide entrevista

     Num tempo «em que o certo parece o incerto» (Manuela Pargana Silva), a paixão pela leitura, pelos saberes e pela imaginação permanece viva nas nossas BE!

    

maio 20, 2016

Dia 22 de maio (domingo) é o Dia do Autor Português
Aqui ficam excertos de alguns dos nossos autores. Os livros estão, como sempre, à sua espera, na Biblioteca Escolar!






O que é que um Douradinho tem a ver com Os Lusíadas? O Capitão Iglo é um sex symbol?
Capitão Iglo
     O Douradinho foi uma das grandes invenções da década de 80. (…) O Douradinho estava para o peixe normal como as adaptações em banda desenhada de Os Lusíadas estavam para Os Lusíadas originais. Nós preferíamos a adaptação. Tinha bonecos. No caso dos Douradinhos, não tinham bonecos – mas também não tinham espinhas. (…)
    No seu primeiro e famoso anúncio televisivo, o Capitão Iglo passeava-se pelo seu navio, cuja tripulação era totalmente composta por miúdos de várias idades. Hoje olhamos para aquilo e vemos trabalho infantil – raça do velho lobo do mar! – mas, na altura, olhávamos com inveja para aqueles moços, felizes e orgulhosos de passarem à esfregona o chão que o Capitão Iglo pisava. (…)
    Em tempos mais recentes, o Capitão Iglo mudou – ficou mais jovem, de cabelo preto, perdeu a barba, ganhou ar de sex symbol e deixou de ser um capitão de navio old school para dirigir uma embarcação ali a pender para Ficção Científica. Isto entristece-me – o Capitão Iglo quer-se velhinho, contador de histórias e inofensivo. Este novo Capitão Iglo de certeza que não hesita em deixar de vigiar os miúdos para engatar mulheres, e isso é imperdoável.
Nuno Markl. Caderneta de Cromos Contra-Ataca. Carnaxide: Editora Objetiva, 2011.





Espelho meu, espelho meu: há alguém mais… feio do que eu? Como diz o povo, santa ignorância…
O espelho único
MÃE DE MARIA: Se não era fogo, porque me acordaste?
MARIA: Porque o meu marido é um velhaco, um biltre, um falsário, um arrenegado.
MÃE DE MARIA: E acordas-me tu só por isso?
MARIA (chora): Anda a trair-me com outra.
MÃE DE MARIA: Ai anda? Grande traste. E quem é a pécora?
MARIA (choramingando): Está ali. (Aponta para o embrulho)
MÃE DE MARIA: Ali? Onde?
MARIA: O retrato dela. Calcule, mãe, que o Narciso teve o descaramento de trazer o retrato dela para casa. (Chora mais)
Mãe de Maria acolhe a filha nos braços e conforta-a.
MARIA (chorando): Só queria que mãe visse a feiosa que ela é, toda mal pronta e esguedelhada. Uma indecência de mulher.
MÃE DE MARIA (consolando-a): Deixa estar, filha, que eu vou ver e, se for como tu dizes, a gente dá uma desanda no teu marido, ai uma desanda…
A Mãe de Maria vai pegar no espelho.
MÃE DE MARIA (fixando o espelho, aterrorizada): Ai que velha avantesma!

António Torrado. Era uma Vez Quatro. Lisboa: Caminho, 2007.




Sabem por que razão o nosso prémio Nobel da Literatura tem o apelido «Saramago»? E conhecem algum caso de um filho que tenha dado o nome ao pai?

Pequenas Memórias

    Contei noutro lugar como e porquê me chamo Saramago. Que esse Saramago não era um apelido do lado paterno, mas sim a alcunha por que a família era conhecida na aldeia. Que indo o meu pai a declarar no registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico José de Sousa que me pai pretendia que eu fosse. E que, desta maneira, finalmente, graças a uma intervenção por todas as mostras divina, refiro-me, claro está, a Baco, deus do vinho e daqueles que se excedem a bebê-lo, não precisei de inventar um pseudónimo para, futuro havendo, assinar os meus livros. (…) Mas o pior de tudo foi quando, chamando-se ele unicamente José de Sousa, como ver se podia nos seus papéis, a Lei, severa, desconfiada, quis saber por que bulas tinha ele então um filho cujo nome completo era José de Sousa Saramago. Assim, intimado, e para que tudo ficasse no próprio, no são e no honesto, meu pai não teve outro remédio que proceder a uma nova inscrição do seu nome, passando a chamar-se, ele também, José de Sousa Saramago. Suponho que deverá ter sido este o único caso, na história da humanidade, em que foi o filho a dar o nome ao pai.

José Saramago. As Pequenas Memórias. Lisboa: Caminho, 2006.




O que «cabe» na poesia?
SEGREDO + SORRISO + MANJERICO + LARANJA = AMOR

Tenho um segredo a dizer-te
Que não te posso dizer.
E com isto já t’o disse
Estavas farta de o saber…


Dá-me um sorriso a brincar,
Dá-me uma palavra a rir.
Eu me tenho por feliz
Só de te ver e te ouvir.


Manjerico, manjerico,
Manjerico que te dei –
A tristeza com que fico,
Inda amanhã a terei.


Caiu no chão a laranja
E rolou pelo chão fora.
Vamos apanhá-la juntos,
E o melhor é ser agora.

Fernando Pessoa. Quadras. Lisboa: Assírio & Alvim, 2002.